
02 setembro 2009
18 maio 2009
Será o Islamismo o caminho para a paz no mundo?
Podem ver o vídeo aqui:
Ao início fiquei apreensivo mas depois "iluminei-me" perante estas excelentes notícias!
Poderá ser uma excelente oportunidade de paz no mundo, pois deixa de existir desigualdade a nível religioso e passa-se a ter uma plataforma comum de comunicação e entendimento, ingredientes necessários a um "salto de consciência".
Ao fim e ao cabo, praticamente todas as religiões defendem o mesmo e, quer queiramos, quer não, a Muçulmana é uma das mais pacíficas e inteligentes que existe, apesar de toda a "má publicidade" que tem sofrido devido a alguns grupos radicais islâmicos que correspondem a aproximadamente apenas 0,001% (1 em cada 100.000 pessoas) dessa gigantesca população.
Acredito que se a maioria das pessoas pertencer a uma religião deixará de existir a necessidade "clubística" de mostrar que "a minha é melhor que a tua" e que, finalmente, nos possamos dedicar a coisas bem mais proveitosas para o bem da humanidade.
Os muçulmanos já no passado foram peritos em contribuir para o bem da humanidade, pois enquanto andávamos a queimar pessoas nas fogueiras eles iam dando excelentes avanços a nível da Matemática (ex. número 0), da Medicina (ex. cura da peste negra), da agricultura (ex. frutos secos, laranjeiras, amendoeiras, oliveiras, etc...), da Astronomia, etc...
É uma forma, creio que positiva, de ver um vídeo que, supostamente, parece querer transmitir uma mensagem negativa...
Se essa for a realidade, que a recebamos de braços abertos e a potenciemos no sentido positivo.
Para os que ainda estão cépticos, o problema reside na seguinte confusão Linguística:
"quase todos os terroristas são muçulmanos" (VERDADEIRO) vs "quase todos os muçulmanos são terroristas" (FALSO - apenas 0,001%)
Gostava de ouvir a vossa opinião...
06 maio 2009
Messenger: O Congelador de Pessoas
(com refrigerador com tendências psicopatas incorporado)Faço parte da geração de pessoas habituada a que um emprego seja um trabalho em equipa com o computador. Trata-se de uma boa parceria desde que não falte a luz ou que o disco rígido não tenha uma das suas crises temperamentais, o que invariavelmente acontece sempre que o sobrecarregamos de tarefas. Não está provado, mas acho que os aparelhos informáticos também sofrem de stress.
No canto inferior direito do monitor, um boneco verde respira em coro comigo o ar doentio do escritório. Carregar nele é como ir ao café, mas sem as partes boas.
Com um simples clic, o boneco verde desdobra-se noutros incontáveis bonecos verdes. O meu ecrã povoa-se instantaneamente de nomes. Familiares, amigos e conhecidos. Pessoas que vejo todos os dias e pessoas que nunca vejo. Pessoas que gosto e outras que me são indiferentes. Pessoas que estão neste momento encarceradas num prédio a produzirem o ordenado do final do mês ou pessoas com os pés enfiados no conforto das pantufas.
Ao longo dos anos fui acumulando as versões informáticas de quase todos os que passaram pela minha vida. Em muitos casos, o tempo passou e tudo o que restou foi o boneco verde.
Já não sei nada das pessoas, às vezes já nem sei bem quem elas são, mas, por uma ironia das tecnologias modernas, elas continuam a fazer parte da minha vida. O MSN é como uma arca frigorífica ilimitada. Conserva as pessoas muito depois delas já terem partido.
Mais do que um programa informático de comunicação, esta funcionalidade é um autêntico agente do destino. Contratado para interferir no curso normal da vida, ele transcreve para o nosso universo cheiros, sabores, imagens, sons, e, nalguns casos, até toques. Todos irreais. Ou melhor, todos intangivelmente reais.
Passamos a mover-nos num universo estranho. No mundo dos corpos fantasmas, onde o máximo que damos e recebemos das pessoas é a ambiguidade das palavras fáceis.
Tornamo-nos no Sonic, no Super-Mário, na Tartaruga Ninja dos jogos virtuais. E o perigo de tudo isto é virmos a confundir tudo. A realidade com a ficção. O passado com o presente. Quem nós verdadeiramente somos e quem são realmente os outros...
22 abril 2009
Vanda... Estás à Espera do Quê?
"Existe agora o MMS - Movimento Mérito e Sociedade, que é um novo movimento político nacional que pretende mudar Portugal. Ver melhor em www.mudarportugal.pt
Este movimento está a apoiar candidaturas às autarquicas de pessoas sem ligações políticas, colocando apenas duas condições:
1º Idoneidade do candidato
2º Projecto para a autarquia
Julgo que com estas condições será certamente mais fácil apoiar um candidato com o perfil desejado: Empreendedor com mérito, sem cargos e nem 'tachos'.
O MMS - Movimento Mérito e Sociedade é um novo partido político que com a ajuda de muitos portugueses irá certamente mudar o quadro político nacional."
Estas eleições autárquicas estão a aquecer por aqui em Alpiarça, e é irresistível escrever sobre este processo pois as pessoas envolvidas são não só da minha geração como da minha idade, amigos com quem partilhei grandes pedaços das brincadeiras de infância.
Tenho pena que o Orlando tenha que desistir da sua candidatura a Presidente da Junta, mas reconheço-lhe a honestidade, integridade e verticalidade de perceber que iria defraudar expectativas. Parabéns Orlando pela tua postura.
Confirma-se o que afirmei há uns tempos atrás em relação à importância da blogosfera nestas eleições... senão porque raio a CDU faria o site que fez para desenvolver este processo, e porque raio enviaria o Orlando uma mensagem para os blogs?
Falta o blog da Sónia, do candidato que o PSD vier a apresentar, e quem sabe também do BE ou do CDS.
Ah... e falta o blog da Vanda, porque eu acho que ela ainda se vai candidatar, e por mim acho que faz muito bem.
Com a experiência autárquica que leva, merece o apoio numa recandidatura que lhe proporcione a necessária legitimidade para provar o que vale.
Deu alguns sinais de poder fazer diferente... o meu conselho fica aqui Vanda, porque é que não aproveitas e te candidatas como independente pelo MMS?
HF
23 março 2009
Autárquicas 2009
Autárquicas 2009 em Alpiarça... Um desafio aos bloggers
"Daqui a alguns meses irão provavelmente começar a surgir os primeiros candidatos às próximas eleições autarquicas em Portugal.
Em Alpiarça, pelo que tenho vindo a acompanhar nos jornais da Região, é quase um dado adquirido que o actual presidente não se irá candidatar.
Navegando nos blogs, e em especial no Rotundas, é possível ler um conjunto de comentários sobre eventuais nomes que irão ou poderão estar presentes nessa corrida.
Não me interessam os nomes nesta fase, pelo que lanço aqui um desafio para começarmos do princípio, ou seja, definir o perfil de quem deve estar à frente dos destinos da autarquia.
É assim que se faz nas empresas, primeiro define-se o perfil do candidato, depois procura-se esse candidato, e no final selecciona-se o que estiver mais próximo do perfil.
Por isso, gostava de ter as vossas opiniões relativamente ao perfil do que poderia ser o candidato ideal.
Para início de conversa, e aproveitando um dos comentários que já foi feito sobre este tema no rotundas, deixo uma sugestão que subscrevo quase na íntegra:
"O(a) próximo(a) Presidente da Câmara Municipal de Alpiarça deveria ser alguém com mais ou menos o seguinte perfil: Independente de partidos políticos; Empresário ou Empreendedor com méritos públicos e reconhecidos, de preferência que se estivesse, literalmente, a borrifar para cargos e 'tachos', que não dependesse financeiramente do cargo de presidente nem das suas intricadas ligações, e acima de tudo que fosse um alpiarcense querido dos demais.
Deveria ser alguem com muito boa capacidade de comunicação e que primasse pela honestidade, sinceridade e verticalidade."
Já temos então algumas competências e comportamentos desejados.
Fico a aguardar os vossos perfis e no final comprometo-me a desenhar um perfil que sirva quase como o texto para um anúncio de jornal a pedir um candidato. Provavelmente até desenho o anúncio."
Pois bem, hoje temos a Vanda que toma uma atitude diferenciadora do anterior autarca, tentando cativar as pessoas com gestos de simpatia e de saber 'escutar'.
Do outro lado, para já só o Mário, O Orlando e o Mário Raul, que não me parece que encaixem no tal perfil acima descrito.
Estas eleições vão ter o seu quê de interessante pois é a geração a que pertenço que está a tentar chegar ao poder.
Resta ver quem se perfila pelo PSD e/ou pelo falado Movimento de Independentes por Alpiarça (tendência crescente em vários concelhos deste País).
Tenho cada vez menos tempo para escrever no blogue, mas considerando que são amigos de infância e colegas de escola a embrenhar-se pela luta no poder, estou com alguma expectativa para ver o que querem para Alpiarça.
Nos últimos anos isto andou tanto para trás, que desejo sinceramente aos vindouros que tenham outra atitude e outros projectos para esta vila.
Bem precisa.
NOTA: Já agora uma nota para a Vanda. Dá para arranjarem os semáforos junto ao Ecomarché? Fui ontem a pé com uma das minhas bébés e tentei várias vezes activar o sinal verde para os peões, mas não consegui. Tive que arriscar e passar assim de repente entre um carro e outro.
HF
21 março 2009
Ilusões perfeitas

Antes de me ler o resto do post gostava de lhe pedir abrisse este link noutra janela do seu browser (http://www.news.com.au/heraldsun/story/0,21985,22556281-661,00.html).
Pergunto-lhe se vê a figura feminina rodar no sentido horário ou anti-horário?
Por muito estranho que lhe possa parecer é possível ver a mesma imagem rodar em ambos os sentidos, dependendo se estamos a usar uma dominância do lado direito do cérebro (sentido horário) ou lado do esquerdo (sentido anti-horário).
05 março 2009
Muçulmanos e Terrorismo - Erros de Lógica
Muitas pessoas confundem as seguintes afirmações:04 março 2009
Duelos: D. Afonso Henriques VS Governo Actual
Desde há muitos anos que D. Afonso Henriques não tinha sossego. Na cidade de Guimarães, encafuado na sua morada de pedra, ele não parava de dar voltas no túmulo. De Lisboa, vinham-lhe os ventos do estado do país.Como pai da pátria, começava a ficar seriamente preocupado com Portugal, o seu descendente javardo que praticamente desde o tempo do seu neto Manelinho, aquele que tinha pancada por caravelas, só se lembrava de se empanturrar com o presente, esquecendo por completo o futuro.
“Meu Bom Deus” pensava D. Afonso Henriques, “Porque raio está esta hecatombe a trucidar o meu chavalo, o meu Portugalzinho? Se calhar tudo isto está a acontecer porque eu casei com a filha ilegítima do D. Afonso VI, ao contrário do c***** do Raimundo de Castela, que desposou a legítima, aquela trombuda da Urraca!”
D. Afonso Henriques andava tão preocupado com tudo isto que, ignorando as dores de costas provocadas pelos seus setecentos e muitos anos, perfurou o túmulo com os seus punhos encrespados pela velhice e montou o primeiro cavalo que encontrou, rumo à capital alfacinha. O cavalo estava um pouco trôpego devido à ração contaminada por salmonelas que consumia diariamente. Mas ainda continuava a trotar com alguma velocidade pois andava animado pela visita próxima da ASAE, que estava prestes a resolver este problema e a obrigar os seus fardos de feno a serem embalados em doses individuais.
Pelo que demorou algum tempo até o nosso rei chegar à assembleia da república. Depois, como os polícias não o queriam deixar entrar de espada em riste, apressou-se a cortar-lhes imediatamente a cabeça, tendo o cuidado de recolher as boinas dos bófias como recordação, hábito que ganhara nas múltiplas batalhas em que outrora participara.
A figura de D. Afonso era tão imponente que até a arrogância de José Sócrates esmoreceu mal ele entrou no salão circular.
- Meu caro rei, meu estimado D. Afonso Henriques, a que se dá a honra desta visita? – perguntou o primeiro ministro, claramente com o rabinho entre as pernas.
Este encolhimento súbito das nádegas de Zezinho deveu-se ao medo que D. Afonso viesse prestar contas consigo acerca do caso Freeport, pois reza a história que o nosso prezado rei gostava muito do sapal do Rio Tejo, onde passava largas temporadas entretido a caçar patos. Até há testemunhos históricos que vão mais longe e que afirmam que D Afonso Henriques só conquistou Lisboa aos mouros por causa das ditas aves.
- Resolvi voltar para acabar com esta merda toda que vocês andam por aqui a fazer!
- Será que nos poderia explicar qual é a merda? – perguntou um coro de vozes em uníssono.
- Esta! Esta merda! Esta porcaria que vocês andam aqui a fazer! – exclamou, apontando para as cadeiras sonolentas dos deputados. - Em vez de andarem à porrada com a crise e com o desemprego, vocês, seus inúteis, andam aqui a ter conversazinhas da chacha! Suas bestas! Suas criaturas boçais que só sabem palrar! Não foi com demagogia que eu fundei Portugal, seus ursos!
- Oh Sr D Afonso Henriques! Tenha paciência, mas o país não está em crise! Prevê-se até um crescimento substancial da economia para o próximo trimestre! Quer ver os relatórios do meu ministério? – Zezinho mostrava-se agora visivelmente indignado e agitava um maço de papéis na mão.
- Tu és mas é um ganda aldrabão! Já te calavas mas é... Toma lá uma destas para
ires mandar as tuas balelas às lagartixas debaixo da terra!
D. Afonso Henriques, munido do seu cassetete praticamente pré histórico, a fazer lembrar os Flinstones, deu uma bordoada tão potente na cabeça do primeiro ministro que esta imediatamente se abriu em duas partes, deixando entrever uns miolos catalogados com uma etiqueta rasca da Universidade Independente, nitidamente elaborada à pressão.
Ouviram-se vários aplausos. Paulo Portas, com o cabelo impecavelmente penteado e com os seus sapatos de berloques que se ouviam a tilintar à distância, ergueu-se na bancada parlamentar, e proclamou:
- Até que enfim, alguém teve a audácia de derrubar o nosso primeiro ministro! Meus amigos, é um sinal do futuro! Portugal está vivo! Sentiu-se nesta martelada o sopro do futuro!
- Calma aí oh florzinha! Falas muito mas não dizes nada de jeito. Portanto também mereces ir conviver com os bichos-de-conta!
O nosso distinto rei estava decididamente com sede de sangue e cortou a cabeça de Paulo Portas sem hesitações. Tal e qual um bom capataz, arrancou-a do suporte do pescoço à primeira, desencadeando uma sonora manifestação de admiração por parte dos deputados.
- Não há dúvida que o nosso rei é muito bom nisto! – ouvia-se o povo a comentar, com um orgulho indisfarçável.
- Ai ai ai, ai ai ai! Que isto assim não pode ser! Mas que raio de democracia é esta? – Francisco Louçã sentiu subitamente um demónio a possui-lo (mais propriamente um demónio com a cabeça incrustada de caracoletas sebosas) e proferiu estas palavras com indignação.
- Ai ai o car****! Tá mas é calado, oh cromo!
D. Afonso agarrou Francisco pelos colarinhos e estrangulou-o com as suas próprias mãos.
- Nunca pensei viver o suficiente para assistir a isto. O senhor é que era bom para reavivar o comunismo! – desabafou Jerónimo de Sousa.
- Não gosto das vossas ideias seus comunas de m****! Uma ova que somos todos iguais! Nas minhas batalhas eu matava mais de cem homens, enquanto que muitos pacóvios que por lá andavam não liquidavam nem um único estupor inimigo!
Jerónimo de Sousa, vendo que talvez tivesse chegado a sua hora, ainda se tentou escapulir por entre as bancadas, mas o hábil Afonso Henriques, recorrendo a uma fisga que trazia no bolso da sua armadura, derrubou-o com uma pontaria inumanamente certeira.
-Agora quem é que falta mais?
Diversas mãos apontaram para Manuela Ferreira Leite, que, quebrando o seu silêncio, disse apenas:
- Ora aqui está o oposto do coveiro da pátria. Este homem é antes o salvador da pátria! – anunciou, apontando para o nosso distinto rei.
Gostei das tuas palavras Manelinha! O Salvador soa-me bem. – comentou o rei. – Vou-te poupar a vida, até porque me lembras a Carlota Joaquina.
Após este acto complacente, D. Afonso Henriques continuou a sua carnificina até não sobrar nem um único deputado e nem uma única cabecinha aspirante à vida política. Findo este extermínio, anunciou alto e bom som à pátria:
- Portugueses! Nós somos os maiores! Estamos fartos de sermos tomados pelos pacóvios da Europa! Agora vamos mostrar-lhes como é que elas lhe mordem! Vamos começar por exterminar esses espanhóis detestáveis! Vamos conquistá-los! Às armas! Às armas! Marchar! Marchar!
E D Afonso Henriques, com uma força nas canetas admirável para aquela idade, marchou de Norte a Sul do país. Pela primeira vez há muito tempo, mais precisamente desde a inauguração do Colombo, o povo rejubilou. Mediante estes desígnios para o futuro, todas as casas hastearam uma bandeira em honra de D. Afonso Henriques, que prometia assim restituir ao país toda a sua grandeza.
Orgulhoso da sua influência, D Afonso Henriques via com satisfação que as suas ideias, apesar da sua extensa idade, nada tinham de anacrónico, sendo prontamente aceites pelo povo. Sendo assim, o nosso rei resolveu relegar um regresso descansado ao túmulo para se bater intensamente com os descendentes daquele infame Raimundo, que, há quase mais de mil anos, desposara a outra, a legítima, a mais boazona das filhas do rei da Península Ibérica.
“Ai Urraca, não eras nada trombuda, eras mas é linda, linda...” – pensava Afonso todos os dias antes de adormecer, pois a verdade é que só a comparava com um elefante quando era preciso dar uma de macho.
Enfim, o nosso rei era assim, ligeiramente temperamental...
Mas o que aconteceu depois serviu de exemplo a toda a história vindoura da humanidade.
Seguiu-se que, surpreendentemente, contrariando todas as tendências, os portugueses deixaram de ser um dos povos mais deprimidos do mundo. Isto aconteceu por várias razões. Primeiro, porque passaram a ter a quem dar porrada. Depois, porque passaram a ter a quem enganar, na medida em que apenas conseguiam transpor as fronteiras do país para dar conta dos espanhóis através de uma aguçada esperteza saloia. E por último, porque passaram igualmente a ter um motivo para festejar todos os dias, pois cada bater de bota dos nuestros hermanos dava azo a extensa comemoração amplamente regada com a vinhaça nacional.
Em suma, os portugueses rejubilaram de contentamento porque passaram finalmente a ter, não só um objectivo de vida, como também um líder à maneira. Não um Guterres, nem um Sócrates, mas sim um homem com 840 anos, detentor de uma experiência de vida claramente superior a qualquer um destes representantes políticos. Olé!
PS: Ao ler esta bela história, foi impossível para o meu coração de menina permanecer indiferente a uma paixão desta dimensão, e por isso fica aqui a minha proposta para a alteração do cognome do nosso primeiro rei em todos os compêndios de história. No lugar de ”O Conquistador”, deveria figurar “O Coração Mole”. Porque protagonizou duas belas histórias de amor: não só fundou um país por paixão às aves do sapal do Rio Tejo, como quis afundar outro por amor a uma mulher, mulher essa com um nome tão duvidoso como Urraca. E como Urraca me faz lembrar um daqueles exemplares femininos baixos, anafados e com um bigode a acenar por cima da boca, deduzo que o nosso rei a amasse mesmo muito porque só o amor é cego desta maneira.
01 fevereiro 2009
Quem nasceu de uma Virgem, teve 12 seguidores, morreu e ressuscitou passados 3 dias?
Assim, teríamos os currículos de:
- HORUS, do Egipto (3000 AC);
- ATTIS, da Grécia (1200 AC);
- MITHRA, da Pérsia (1200 AC);
- KRISHNA, da Índia (900 AC);
- DIONÍSIO, da Grécia (500 AC);
- e muitos, muitos outros mais (contei pelo menos mais 34!!!).
Ora, então assim brevemente, de onde vem uma coincidência tão grande? Tem tudo a ver, segundo a fonte que consultei, com o Sol.
Vejamos algumas (possíveis) explicações:
- Uma estrela a Este indicou o seu nascimento: na noite de 24 de Dezembro, a estrela Sírius, da constelação de Virgo (ou VIRGEM) é a mais brilhante do céu e encontra-se alinhada com as 3 estrelas mais brilhantes da constelação de ORION, estrelas essas conhecidas por 3 Marias em Portugal mas em muitos sítios por... 3 REIS. O alinhamento entre estes 4 astros aponta para... o local onde o Sol nasce a 25 de Dezembro!

- Teve 12 seguidores: os 12 seguidores representam as 12 Constelações do Zodíaco sobre as quais o Sol se movimenta
- Morreu e ressuscitou passados 3 dias: todos os dias do ano depois do Solstício e Verão o Sol se "põe" mais a Sul. Acontece que no dia 22 de Dezembro ele pára de se movimentar. "Morre" 3 dias e "ressuscita" passados 3 dias, a 25 de Dezembro... :)
Poderão ter acesso a estas e muitas outras informações interessantes no documentário "Zeitgeist, The Movie" (http://video.google.com/videoplay?docid=-2282183016528882906). Aconselho, no entanto, as pessoas mais inconscientes e que gostam pouco de se questionar, a não verem, pois irão ter MUITAS dores de cabeça...
23 janeiro 2009
Ode às Palavras
Cubos de gelo que escorregamPelo orifício banal, bucal
Os tímpanos (que perspicácia!) derretem-nas
Em emoções, exclamações e interrogações
Que novas sílabas de saliva
Fazem viver
Ou então (que audácia!), transformam-nas em silêncios
Falsificados pelo coração
As palavras são tudo e, ao mesmo tempo, não são nada. Elas são os tijolos do passado e a argamassa do futuro..
Lançam o desespero quando, a baloiçar no precipício da língua, acabam por desistir de voar pelo desfiladeiro, e regressam, arrependidas, ao silêncio donde partiram.
As palavras são perigosas, podem até matar quando conjugadas de formas demasiado imperfeitas, transformando-se, à velocidade do som, em facas afiadas que rasgam todas as esperanças.
Por vezes são meigas e despejam a sua seiva nos sonhos secos, devolvendo-lhes generosamente a fertilidade.
Podem enlouquecer quando se perdem nos labirintos vastos das auto estradas do cérebro.
Quando repetidas vezes sem conta, perdem a graça, despem-se de sentido e regressam ao mundo paleolítico dos urros e dos grunhidos.
As palavras são as anfitriãs da vida, convivendo nas festas dos parágrafos, nas romarias das rimas, nos cafés das frases, nos casamentos dos poemas, no breve encontro das saudações.
São tão eclécticas e versáteis que é possível encontrá-las em qualquer ocasião.
Estão em todo o lado, na boca do moribundo que tarda em morrer, na exclamação de felicidade da noiva acabada de casar, nos cânticos melancolicamente infantis que ressoam na casa toda enfeitada para o Natal, nos vitupérios primários dos invejosos, na grande e escura noite da solidão, no dia morno e fecundo da Primavera.
Tocam todos os dias, vezes sem conta, no comum gramofone bocal, onde são riscadas pelos dentes e oleadas pela saliva.
Com elas construímos o mundo e movemo-nos nos trilhos secretos da imaginação.
Não há dúvida, as palavras são os best sellers do dia a dia.
Fiéis companheiras de percurso que, com os seus concertos orquestrados pela nossa língua e o suave marejar que provocam quando ocupam por inteiro o nosso pensamento, nos dissuadem de nos tornarmos puros eremitas.
08 janeiro 2009
O Ano Novo: O Despertador da Natureza
O Ano Novo é sempre aquele momento marcante em que as pessoas resolvem tomar grandes decisões:“Vou parar de fumar”,
“Vou fazer dieta”,
“Vou praticar exercício físico três vezes por semana”,
“Vou mudar de emprego”,
“Vou marcar uma viagem”,
“Vou deixar de trabalhar tanto”,
“Vou passar a ver menos televisão”,
“Vou perseguir o meu sonho”,
(Aquele, o tal, o de sempre, o Sonho, escondido algures dentro de nós, imperceptivelmente escamoteado pela realidade),
“ Vou deixar de comer hambúrgueres e batatas fritas ao almoço”,
“ Vou começar a lembrar-me sempre dos aniversários dos meus amigos”.
“ Vou passar a ir ao médico”.
Etc, etc, etc.
Todas estas deliberações, que de comum têm o facto de serem objectivamente benéficas para a nossa vida, podem ser resumidas num:
“Vou-me tornar diferente”.
Não há dúvida que, nesta altura do ano, surge uma enorme necessidade em assumir novos compromissos perante nós próprios. Encaramos o Ano Novo como uma nova chance que a vida nos dá para recomeçar. Queremos tornar-nos naquilo que não somos e sempre quisemos ser.
Subitamente, como que acordados pelo despertador da urgência, começamos a ter pressa. Daí a súbita ansiedade, o desespero por não sabermos se ainda vamos a tempo, a motivação fulminante, Fazemos um balanço do passado e queremos refazer os erros, queremos embrenhar-nos finalmente nos caminhos proveitosos do certo, queremos tudo de uma vez.
As doze badaladas tocam nos sinos ancestrais das praças. Tampas e tampas de garrafas de champanhe irrompem com estrondo pelo ar festivo da noite. Comem-se passas. Grita-se. Salta-se. Dança-se. Um novo fôlego toma conta de nós. Pensamos na agenda ainda novinha em folha, completamente por estrear, cheia de dias e de horas em branco. Que tranquilidade é sentir que o nosso prazo de validade se prolongou, em princípio, por mais 365 dias. 365 alvoradas de possibilidades.
O Ano Novo traz Esperança. Finaliza um ciclo. É o carimbo oficial da vida que permite deitar o passado ao lixo e que atesta uma nova oportunidade.
Porque esquecemos então, à medida que os dias avançam e que o ano perde a frescura, todas as ideias fantásticas que decidimos pôr em prática?
... Talvez porque, infelizmente, a memória das emoções é sempre curta. Somos bons a recordar acontecimentos e a saber que, nesta ou naquela altura, fomos felizes, ou que em determinado momento a tristeza vacilou em nós como um baloiço em andamento. Mas não conseguimos sentir novamente essa felicidade ou essa tristeza. Apenas sabemos que, algures em nós e algures no tempo, elas existiram.
O mesmo se passa com o ânimo que surge nesta altura do ano. Lembramo-nos vagamente dele. Até podemos ter uma lista pendurada no frigorífico; um pedaço de papel rabiscado que acena timidamente na branca e fria porta que abrimos repetidamente ao pequeno-almoço. No entanto, já não sentimos qualquer impulso para a acção. O sopro diário da rotina imobilizou-nos. Começámos a acumular dias e dias às costas e o peso tornou-se tão grande que qualquer movimento se tornou perfeitamente impossível.
Só que esquecemo-nos que, se não conseguimos conservar as emoções, podemos sempre reviver os acontecimentos. Esquecemo-nos que o Ano Novo pode ser todos os dias.
... Uma das coisas mais importantes que eu aprendi na vida foi a arte da reciclagem diária. Eu não sou hoje exactamente aquilo que fui ontem, nem serei amanhã exactamente aquilo que sou hoje.
Acharmos a continuidade uma imposição da vida é algo que nos vai sempre roubar a liberdade.
Ser verdadeiramente livre é ser livre cá dentro, no âmago da consciência. E nunca nos prendermos nem ao tempo nem àquilo que fomos um dia.
O Ano Novo é só a forma que a Natureza encontrou de nos relembrar disto, de nos fazer ver que, quem nos acorrenta ao passado e quem tem o poder de nos dar umas novas asas para voarmos mais além, na direcção do horizonte sempre imaginado e nunca perseguido, somos sempre nós próprios.
02 dezembro 2008
Duelos: Poluição VS Buraco do Ozono

Naquela noite de final de ano, a Poluição resolveu ir até à discoteca mais in do Mundo, situada em pleno coração industrial da China, para se enfrascar com uns valentes copos e abanar o capacete. Apetecia-lhe ouvir um pouco de kizomba, pois tinha ficado imediatamente possuída pelo ritmo veloz e sensual deste tipo de dança nas suas recentes expedições de angariação a África, que por sinal haviam dado muitos frutos. A Poluição já não era nenhuma gaiata. De facto, já ia a caminho dos duzentos anos, dado que nascera em plena Revolução Industrial, mas estava muito bem conservada, com os seus milhares de operações plásticas e injecções de botox. Não parecia minimamente a idade que tinha, e dava, na maior, com os seus sapatos com saltos astronómicos de betão e revestimento poderoso a aço, um baile a muitas outras catraias mais novas, que mal conseguiam movimentar-se ao som da música tecno, elaborada em mesas de mistura altamente sofisticadas. Felizmente, longe iam os tempos do som careta do violino e das batidelas xunga das teclas de piano.
07 novembro 2008
Morte às Melgas

Quando começo a ouvir este burburinho irritante a meio da noite, já sei que estou lixada. Lixada de maneiras demasiado diversas para serem, à partida, provocadas por bichos tão raquíticos como os que provocam este som estridente com o seu bater de asas ininterrupto.
Até pode ser que, como criatura zelosa que sou, me tenha lembrado de fechar as janelas todas antes de ter acendido o maldito chamariz que é a luz do quarto. Até pode ser que tenha dedicado alguns euros suados à compra de um difusor de insectos ou de um repelente. Mas, há que enfrentar a dura e incontrolável realidade: estas amostras de bichos têm tanto de irritante como de poderes ocultos. São verdadeiros feiticeiros que conseguem a proeza, sabe-se lá como, de se intrometerem nas residências alheias ainda que estas tenham ferrolhos em todas as brechas das paredes.
O problema com estes animais vis surge logo quando os tentamos apelidar de alguma coisa que não seja um qualquer nome insultuoso. Afinal, estes espécimes peçonhentos chamam-se moscas ou mosquitos? Sempre me fez uma confusão dos diabos esta questão. Será que as melgas são as fêmeas dos mosquitos? Ou será que melgas e mosquitos não têm nada a ver uns com os outros a não ser o pormenor de chuparem o sangue às pessoas sem vergonha nem pudor? Ou será ainda que esta diferença na nomenclatura tem a ver com o estrato social, sendo que os vips lhes chamam de melgas e os saloios de mosquitos, ou vice-versa? Fui pesquisar. Já mal cabia em mim de curiosidade e, além disso, gosto de injuriar correctamente os meus adversários, visto que seria um tremendo lapso se, em vez de “maldita melga”, eu proferisse “maldito mosquito”, levando a melga a pensar que eu a autorizava a ela, apenas a ela e não ao mosquito, a extorquir-me os meus fluidos corporais.
Compêndios consultados, cheguei à conclusão que a melga é uma espécie de mosquito, mais pequena que o trombeteiro que, pelos vistos, também é um mosquito famoso e, a dar pelo nome, também promete ser assaz barulhento, tal como a sua parente mais popular.
Já experimentei vários produtos à venda no mercado para acabar de vez com todos estas bestas pertencentes à família dos mosquitos. Não lhes bastando despertarem-me durante a noite, têm o desplante de gozar com a minha cara quando, no preciso momento em que acendo a luz com o propósito único de os estilhaçar contra a parede, resolvem parar de bater a porcaria das asas e esconder-se no recanto mais imprevisível do quarto, levando o meu sono a desistir de os matar. Claro está que, desprezando a minha clemência, passado pouco tempo de eu ser vencida pelo cansaço que eles próprios provocaram, os sacanas recomeçam as suas danças ruidosas e acabam sempre por cumprir a sua intenção sangrenta de me picarem e de me sugarem alarvemente o sangue, que por essas alturas viaja sempre abundante e calmamente pelas artérias.
Como consequência destes apetites execráveis destas criaturas abjectas, no dia a seguir já sei que, não só irei sentir uma comichão desmedida que me irá cansar o metacarpo só de me coçar, como também, e porque estas atrocidades voadoras resolvem precisamente dar um ar das sua graça no Verão, vou ficar com o visual descapotável próprio desta silly season completamente arruinado por enormes babas, típicas das doenças contagiosas.
Mata-moscas, repelentes em spray, em creme, em roll on, dispositivos que emitem ruídos supostamente insuportáveis para os ouvidos ovíparos destes anormais do reino animal, entre outras coisas estranhas, nada é completamente eficaz.
Começo a desconfiar que os mosquitos só existem para nos irritar. Talvez a Mãe Natureza tenha achado que, já que matamos ou aborrecemos todos os nossos vizinhos animais e plantas, também devíamos ser aborrecidos por alguma entidade pouco escrupulosa, e então criou os mosquitos. Dotou-os de capacidades obscuras que os tornam indestrutíveis e, qual puta maldosa e visionária, soltou-os pelo mundo para eles disseminarem as suas bruxarias por todos os continentes, conspurcando de mordidelas os corpos lisos e lustrosos de inocentes seres humanos como eu.
22 outubro 2008
Encerramento do Rotund@s e Encruzilhad@s
No entanto, não podia deixar de reagir a um 'blogacontecimento' referente a Alpiarça e que é o encerramento (espero que seja temporário) do blog http://rotundaseencruzilhadas.blogspot.com
Têm havido exageros na escrita, e muitos insultos gratuitos, o que não abona em favor de quem mantém e investe muito do seu tempo na actualização deste novo meio de comunicação em Alpiarça.
O Rotundas e Encruzilhadas (R&E) cumpriu um objectivo que é: disponibilizar diariamente informação actualizada sobre o nosso concelho.
É bom para quem vive e/ou trabalha fora, divulga acontecimentos que doutra forma não teriam divulgação e reúne num só sítio as diversas notícias que vão sendo publicadas noutros orgãos de comunicação social.
Na prática, tornou-se um eixo central da discussão de certos assuntos, com a grande vantagem de ser imediato e acessível.
Dias há, em que os assuntos se sucedem a um ritmo vertiginoso e os comentários acompanham esse ritmo.
Transmite a idéia que há muita gente a visitar este fórum, e que Alpiarça está viva na blogosfera.
Não sei quem é o Administrador do R&E, nem estou interessado nisso.
Apesar de ser contra o anonimato, como princípio, reconheço que doutra forma quem dá a cara pode ficar sujeito a alguns episódios menos dignificantes como são a GNR a bater à porta a chamar para depoimento no posto, no ãmbito de denúncias à procura de saber quem são os autores de determinados textos ofensivos.
Pelo que fui lendo, concordo que houveram muitos abusos, e que a ofensa gratuita concerteza lesou muitas pessoas directamente visadas nesses comentários.
Por mim, exerceria o direito de escolher mais criteriosamente os comentários a publicar (como o fiz algumas vezes aqui no Alpiarcense, não publicando algus comentários mais ofensivos), no sentido de elevar o nível da discussão no blog, credibilizando assim o seu conteúdo e os seus autores (anónimos ou não).
Acho que Alpiarça e os Alpiarcenses precisam definitivamente de um R&E, ainda mais agora que vamos entrar num novo ciclo eleitoral.
Como disse no início, e por razões pessoais, não tenho tempo disponível para me envolver num projecto destes, mas darei todo o apoio moral a quem se disponha a manter o R&E.
Façam um estudo de mercado e obtenham a opinião de quem lê o R&E. Saibam o que tem estado mal até agora, identifiquem as expectativas das pessoas em relação ao blog e aos seus textos, procurem saber que temas mais interessam, e divulguem esses resultados.
Firmem um estatuto editorial que defina critérios de publicação que permitam gerir os comentários e a linguagem utilizada no blog, e verão que o mesmo ganhará credibilidade e assumirá cada vez mais, um papel importante no seio da sociedade alpiarcense.
Por fim duas mensagens:
1. Ao Administrador do R&E - Espero que tenha percebido pelos comentários que têm chegado depois do encerramento, que o R&E ganhou uma vida própria e que não é nem poderá ser sua a decisão de o encerrar, pois a importância do blog em Alpiarça é de tal forma grande que se pode dizer que a criatura ultrapassou o criador;
2. Aos jovens deste concelho - Porra, o que é que andam a fazer que não pegam num projecto como este e mostram a vossa irreverência. Têm os skills, têm as ferramentas, têm tempo e disponibilidade, e não aproveitam para serem cidadãos com C maiúsculo... como dizia o outro... ai se eu pudesse!
Helder Figueiredo
Meu velho amigo e camarada Parente

Por: António Centeio
Estava ausente quando soube da notícia do falecimento do meu velho amigo e camarada Parente. Ao receber a informação da fatalidade a minha alma transfigurou-se de tal forma que as lágrimas se derramaram pela face como tivesse sido molhada por uma torrente de água. De imediato regressei para que não faltasse ao seu funeral. Assim aconteceu.
Ainda criança quando via a minha pessoa chamava-me logo para saber onde andava e o que estava fazendo. De seguida dava-me conselhos de toda a espécie para que quando um dia “fosse um homem, soubesse honrar quem me deu vida” porque “estes mereciam tal coisa”. Marcou-me profundamente. De tal forma que o considerava como o “meu melhor protector e o melhor professor das coisas da vida,” quer pela sua experiência como ainda pela maneira de falar e sabedoria. Eu era a criança que ele adorava. Encarava-me como seu “favorito” talvez pela amizade que o unia a meu falecido pai como a estima que a minha família lhe merecia.
Sobre a sua pessoa, lembro-me de ouvir as mais variadas e pitorescas histórias que fazia como o imaginasse numa espécie de centurião romano ou um musculoso homem de outro planeta em virtude de seu enorme corpo e cara de respeito que apresentava para com todas as crianças. Algumas não passavam de lendas mas outras eram verdadeiras. Que eu saiba nunca casou e muito menos viveu com mulher alguma mas sabia -porque me disse – que visitava de tempos a tempos a “casa das meninas” onde satisfazia as suas necessidades. As histórias originárias destes encontros ensombraram durante algum tempo a minha imaginação sobre os prazeres da luxúria como me espevitava o caminho para a curiosidade de saber se na verdade a coisa era tão boa como Parente dizia. O tempo se encarregou de ensinar que na verdade ele era um “mestre na arte”.
Originário de famílias de posse, bem cedo se separou de quem o estimava, dispensando ao mesmo tempo a fortuna que os “seus lhe tinham destinado”. Sempre quis viver do que ganhava e levar a vida que gostava. A sua liberdade por preço algum trocou, ao ponto de feito homem, os familiares se envergonharem da sua situação precária e das pobres condições em que vivia. O que lhe interessava era a sua felicidade. Pura e simplesmente marimbava-se para o que diziam e pensavam dele. Sempre satisfeito com a vida ensinava aos mais pequenos – tipo de gente que adorava «nunca devemos deixar de ser aquilo que somos mesmo contrariando a vontade ou os desejos dos outros”. As crianças quando o viam na rua era como vissem o deus dos deuses. A gritaria entoava pela rua e toda a gente ficava a saber que Parente estava rodeado dos mais pequenos. Era a sua alegria e felicidade. Os seus enormes dentes mostravam a grandeza da sua alma. Um homem pronto a fazer e a dar o seu melhor pelos outros sem nada querer em troca.
Quando me fiz homem e iniciei o percurso da vida Parente seguia-me de perto. Se por alguma razão a ausência do seu predilecto se prolongava ia recolher as informações necessárias para saber do ponto da situação: se não lhe agradasse o que ouviu, desbravava caminhos e encruzilhadas para me ver ou aconselhar daquilo que considerava o “melhor para mim”. A experiência da vida ensinou-me que os seus conselhos eram os melhores e os mais certos.
Do meu velho amigo e camarada Parente nunca me esquecerei daquilo que sempre ouvi dizer como algumas vezes cheguei a testemunhar:
Decorria a década de cinquenta do século passado. A sala do cinema compunha-se de várias filas de cadeiras. Distribuídas por classes, davam-lhe os nomes de: “Geral (que chamavam também de piolho) Plateia, Balcão e Camarotes”. No primeiro andar, tipo meia-lua, o “Primeiro e Segundo Balcão”; nos cornos da lua, encaixava-se uma meia dúzia de camarotes, a puxar para o finório com a ajuda de carteiras bem recheadas. Era o espaço dos senhores janotas e das madames vistosas. O “camarote” mais distinto estava reservado “perpéctuamente” ao fiel cliente, conhecido por Parente.
A alcunha, vinha por esta figura, considerar nas outras, um laço familiar como que, sendo todos descendente da mesma espécie. De pouco valia argumentar. A origem da família, para o Parente estava escarrapachada no Livro do Mundo a que chamava de Divino. Se em causa fosse posta a sua teoria, enviava os contraditores para a casa do pároco, que mais do que ninguém lhe servia de testemunha.
Um homem aí na casa dos cinquenta. Bem encorporado, possuidor de uma voz rouca que até fazia estremecer quando levantava o timbre. Solteiro, residente numa casa térrea, de uma só divisão, onde numa das paredes tinha pendurado uma velho relógio de capelinha, que para a rapaziada com menos de uma dezena de anos «era um rato amigo do dono que dava corda ao marcador de horas». Com profissão desconhecida mas sempre com uma carteira apetrechada de trocos. Os suficientes para gastar a seu belo prazer e dar a quem só ele entendesse necessitar.
Homem estranho, gozado pela canalha mas temido pelos grandalhões ou seus iguais, de alma, porque fisicamente estavam a léguas de distância na força e tamanho.
Agarrava em duas sacas de cimento de cada lado do corpo – pesando cada uma cinquenta quilos – seguras pelos braços que ao subir a escada em vez de ser ele a cair com tal peso, eram os degraus que se partiam. Homem estranho como esquiva era a sua maneira de viver.
Mal abria as portas do “Cine” Parente tinha que ser o primeiro a entrar. Ia directamente para o seu “camarote”. Sentava-se, cruzava a perna, para de seguida começar a ler o jornal, com os seus óculos de sol – lentes bem escuras – que o acompanhava quer fosse de dia quer noite, Inverno ou Verão.
A sala ia enchendo, vendo-se aos poucos, as cadeiras – conforme os bilhetes iam sendo rasgados pelo porteiro – a dar forma no interior da casa de espectáculos como a garantir aos pagantes que a sessão ia ser boa; o contrário era sinal de má escolha. Na hora anunciada desligavam-se as luzes para logo rodar a fita da sétima arte.
Parente pouco ligava à rotina como ao desenrolar do filme para continuar a ler o tabloide, vindo de não se sabe donde.
De algures, ouvia-se uma voz «Oh Parente, está a ler às escuras!». Ria-se para dobrar o jornal, metendo-o de seguida no bolso de casaco. No intervalo, era o seguimento do que não foi acabado.
Mais uma vez a voz estranha clamava « Parenteee!....., o jornal está ao contrário! Está a ler as notícias de pernas para o ar!» E, estava mesmo, porque o Parente não sabia ler. Apenas gostava de exibir a sua ignorância – para os outros – de homem simples com sonhos de grandeza como os seus cultos vizinhos de camarotes situados a bandas do seu – os debaixo, eram da classe média.
Era boa pessoa. Continuamente sorridente mas inseparável da sua gasta folha de periódico como dos seus velhos “Óculos de Sol” comprados por tuta-e-meia em qualquer banda que nem ele próprio sabia. «Comprei-os a um contrabandista que por aqui passou, depois de finda a Grande Guerra». Verdade ou mentira, nunca se apurou.
«Aí está ela!»
Era a Sara Montiel a artista preferida de Parente e a personagem principal do filme. A “Plateia” batia palmas ao Parente salvo quando os do baixio apanhavam na cabeça as cangalhadas e cascas de amendoins que a classe finória mandava para o vazio.
Era logo um banzé na choldra. Neste momento o corpanzil do Parente erguia-se em plena escuridão para admoestar a populaça «calem-se suas cavalgaduras que quero ouvir a Sarita». Calavam-se mesmo.
Velho e amigo camarada Parente como a sua ordem era respeitada, mesmo que lá no fundo, todos gozassem com as saídas inesperadas do Parente.
Uma figura castiça que memorizou histórias do arco-da-velha nas gerações seguintes; história adulteradas que inferiorizam Bocage.
Belo dia de Carnaval, subiu com a sua pasteleira, até meio, a íngreme rua. O restante foi a pé, segurando o transporte pela mão, levando em cima do guiador do velocípede, um par de cornos, comprados na manhã do dia, no talho do Felismino.
Chegado ao cimo, monta-se em cima do selim, seguro pelo quadro de aço alemão e assente em duas rodas com locomoção humana, para descer com toda a sua força muscular, muito própria de quem a tinha, ganhando uma velocidade tonta. Às tantas perdeu o equilíbrio para se estampar de rejeitada em cima do passeio empedrado. Como caiu como ficou. O corpo todo estendido assustou o mulherio que gritou logo por socorro. Tinha havido um acidente grave: a vítima não era nem mais nem menos do que o Parente.
«Ai que o Parente morreu! Chamem uma ambulância»
Estavam os maqueiros colocando o folião na maca, quando o morto se levanta, gritando «Alto e pára o baile, que o artista nunca morre no filme!»
Aquilo é que foi uma gargalhada. Só o Parente para fazer uma cena destas. Durante semanas, logo conhecida a coisa da canalha, foi o tema mais falado na escola.
Parente foi durante anos o ídolo da criançada. Bastava ser visto por um, logo outros se juntavam em grupo como bando de pardais.
Quando um dia correu a noticia que Parente «foi desta para melhor» – ainda por cima no dia dos finados – toda a gente das redondezas fez questão de acompanhar o corpo à ultima morada. A figura mais típica da terra, quando dentro do caixão, foi cercada por pessoas, que ele próprio se fosse vivo, nunca tinha visto de lado algum.
Quem gostava de andar em cima da terra passou a estar debaixo dela. Muitas lágrimas se derramaram naquele dia de infelicidade e muitos lenços foram lançados para cima do baú rectangular de côr castanha.
Aí, meu velho amigo e camarada Parente todos te recordam e todos nós falamos de ti, como no nosso meio estivesses.
Recentemente, no Carril, depois de passadas algumas dezenas de anos, após a sua morte, colocaram seu nome e alcunha numa rua para que seja lembrado enquanto a memória dos vivos recordar o Parente. Vale mais tarde do que nunca.
Visite na Internet o site: www.terradovento.com
21 outubro 2008
Parabéns a Mim

O coração a comandar as tropas do sangue que galopam pelas veias a disparar oxigénio para todas as ilhas do corpo. O cérebro a contar os tostões do pensamento e a apontar a contabilidade da vida no caderno rasurado da memória. E a alma, eterna fugitiva das grades materialistas da Ciência, encontra o seu refúgio a meio caminho, no último instante entre o sentir e o pensar.
Aqui, nesta noite cercada pela intensa magnitude da escuridão, escrevo a minha consternação alegre por poder desfrutá-la. Percorrendo a cronologia do passado, avisto inúmeros rostos que podiam ser o meu. Sob que desígnios sábios e ulteriores a nós próprios nos é concedido um rosto? Eu sou Eu. E, em ocasiões determinadas pelo germinar da felicidade amplamente desencravada dos terrenos calcários da possibilidade, este saber de mim própria refresca, com a intensidade das paixões proibidas, tudo o que sou.
Hoje a madrugada antevê o sol do meu aniversário. Descubro que quero receber muitos presentes, não daqueles de conteúdos efemeramente materiais, mas daqueles embrulhados na utopia.
Quero umas pastilhas elásticas com sabor a sol e a céu azul. Quero uns ténis específicos para correr na maratona dos sonhos. Quero um colchão anatómico para prevenir todas as noites a má postura da alma. Quero uns óculos que só ampliem a felicidade. Quero um quadro do passado pintado com as tintas da alegria. Quero um cachecol que proteja dos contratempos. Quero aspirinas para curar as tristezas do caminho. Quero os lápis de cor que me serviram para colorir a brevidade sorridente da infância. Quero que o espelho me devolva sempre a minha face, e não outra qualquer deturpada pelos outros ou inventada por um qualquer futuro que não seja o meu. Quero que todos os que habitam em mim se imobilizem na fugacidade do tempo e adquiram assim a consistência praticamente eterna das rochas. Quero segredos, muitos, contados pelos minúsculos átomos de sabedoria, que espero um dia virem a habitar-me total e permanentemente. Quero mais momentos assim, suspensos da ponta da caneta, à espera que os seus ruídos de algodão doce se inscrevam na memória do papel. E quero um pack de 365 noites como esta, em que a vida se apresenta numa lata de abertura fácil, escorrendo sob a forma de um líquido denso, púrpuro, brilhante, único e orgulhoso – Eu.
Por tudo isto e muito mais, o copo de champanhe que me escorrega com fremente ansiedade pelas mãos, merece ser tragado de um só golo. Parabéns a Mim!
(Como é bom ter a oportunidade de ser Eu no mundo previamente trilhado do convencional!)
15 outubro 2008
O propósito da vida
Recebi agora este e-mail e decidi partilhar convosco. O autor do texto é João Pereira Coutinho, jornalista.
"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades.Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.
Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac.É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"
14 outubro 2008
Quero Conhecer o Aladino
Do alto dos meus vinte e tal anos só me apetece injuriar os energúmenos que inventaram as típicas histórias infantis e as criaturas boçais que insistem em contá-las, quais cassetes riscadas pela infrutífera passagem dos anos, aos filhos, aos netos, aos sobrinhos, aos afilhados, enfim, a tudo o que acabou de se estrear no mundo com a pompa, circunstância e, quiçá, felicidade da ignorância. Como se já não bastassem as inúmeras dificuldades que qualquer criatura imberbe tem de enfrentar (abandonar o instinto primata de progressão no terreno em quatro patas, conseguir fazer boa figura aquando da deglutição da papa e afins comestíveis, parar de grunhir berros atrozmente medonhos resultantes da abertura pouco parcimoniosa da goela, e aplicar o conceito modernamente higiénico de sanita), ainda a sobrecarregam com as ditas fábulas para crianças! Histórias que pretendem ser fantásticas mas que, na prática e a longo prazo, se revelam lamentavelmente nocivas para o cérebro singelamente ingénuo destas amostras de gente.Eu própria fui afectada por este fenómeno mitómano perigosamente disseminado por toda a sociedade. Cresci a acreditar que uma data de coisas eram possíveis; baseei todas as minhas crenças e sonhos em alicerces que, à medida que fui crescendo, foram revelando uma consistência perigosamente periclitante. E sofri amargamente quando descobri que todas estas histórias da carochinha não passavam de um tremendo embuste para apaziguar as minhas ansiedades tenras de chavala minorca. Como prova de tudo isto, vou enumerar todas as aldrabices monumentalmente vergonhosas que me contaram, vandalizando-me selvaticamente a mente ao ponto de hoje em dia ser apelidada de louca por ainda desconfiar que o impossível se trata, afinal, de algo amplamente exequível:
O Capuchinho Vermelho
Quem não se lembra da menina, vestida de vermelho, que vai pelo bosque para visitar a avozinha e que, quando está a apanhar cogumelos, ou flores, ou o raio que a parta, dá, subitamente, de caras com o lobo mau? O lobo que, posteriormente, qual fã incondicional do Darwin, a vai tentar ludibriar com os argumentos de que a suas orelhas e os seus olhos cresceram em virtude, única e exclusivamente, das necessidades impostas pelo meio exterior. Este diálogo entre a netinha e a pseudo avozinha tem um je ne sais quois de perverso que agrada à maioria dos futuros tarados.
No entanto, as incongruências da história são muitas. Por exemplo, não obstante o sacana do lobo comer a avozinha, a dita idosa não só não morre, como o caçador faz o obséquio de a retirar da barriga do quadrúpede maléfico, atafulhando-lhe o bucho com uma colecção de pedregulhos. Logicamente, com este exemplo, cresci a pensar, não só que na sequência de ingerir um bife, me podia sair disparada uma vaca pela cavidade abdominal, como também que nunca se morre, e que o Bem vence sempre o Mal, sendo este último eternamente punido pelas suas infâmias. Até agora não vi nada disto a ser posto assiduamente em prática no ringue bárbaro e mortal da humanidade.
O Pinóquio
Este monstrinho de madeira vinha sempre à baila quando o objectivo se tratava de nos dissuadirem de mandar tangas. “ Olha que te cresce o nariz!”; “Olha o que aconteceu com o Pinóquio!”; “Se não queres ficar como ele não podes mentir!”
Desde quando é que uma mentira faz com que as narinas se dilatem e se contorçam até se expandirem monumentalmente para a frente? Se assim fosse, o nariz de quem nos contava este absurdo, já era demasiado infinito para ser, sequer, medido.
O Príncipe Encantado
O popular Príncipe Encantado, um garanhão irresistível e bondoso, fez as suas primeiras aparições na Cinderela e na Bela Adormecida, e, foi tal o seu sucesso, que a sua figura de cavaleiro andante se perpetuou no tempo, tendo sido incluída em todos os filmes românticos da Humanidade desde então. O problema acerca desta personagem apetecível é que faz com que toda a vida membros de ambos os sexos deambulem por aí, esperançosamente e com requintes de desespero, no intuito de encontrarem a pessoa mais que perfeita, a pessoa que na realidade não existe, porque, obviamente, para habitarmos racionalmente este globo imperfeito, temos de ser humanos, o que consequentemente significa: algo defeituosos. E, ainda que assim não fosse, desconfio que, no caso de certas mulheres, se o dito príncipe nunca lhes chegasse a cavalo ou de outra qualquer maneira assaz pomposa, nenhuma acreditaria que se tratava realmente do elemento da realeza porque esperaram embasbacadas, aturdidas pelo bater das doze badaladas e zonzas pela ressaca das abóboras, durante uma vida inteira.
A História da Carochinha
A Carochinha ensina às moças casadoiras a melhor estratégia para pescarem um noivo à maneira. Segundo a história, basta tomar um bom banho, vestir um vestidinho da moda e ir até à janela gritar a célebre frase: “Quem quer casar com a Carochinha que é bonita e perfeitinha?”. E é garantido que o João Ratão vai aparecer mais tarde ou mais cedo. A técnica usada é parecida com os pregões da praça utilizados na venda do peixe, pelo que concluo que as profissionais deste negócio não devem ter falta de maridos, ao contrário de muitas outras, fiéis praticantes de outros ofícios, que, à luz do sucesso da bicharoca bicolor, deviam parar de se inscrever em agências matrimoniais, estancar todas as actividades coquetes empreendidas na caça ao homem e ir para a varanda acenar aos transeuntes. Que bonito o mundo seria se as mulheres seguissem à risca este conselho e se tornassem meros bibelôs falantes a adornar o betão da civilização!
Os Três Porquinhos
Nesta história são exaltados os esforços e empenho do terceiro porquinho que luta para construir uma casa de pedra, enquanto que os seus outros dois irmãos de pocilga coçam a pevide. O desgraçado do lobo, eterno massacrado dos contos infantis, torna a sofrer as consequências do seu apetite voraz e acaba esfrangalhado num caldeirão. Aqui, a lição a retirar é a de que toda a gente é recompensada pelo seu trabalho... A minha mente vacila sobre a veracidade desta premissa...Imagine-se que o filho do terceiro porquinho herdava a fortaleza de pedra construída com o suor malcheiroso do progenitor suíno, onde é que fica a moral da história com esta alteraçãozinha banal?!? É caso para dizer que, neste caso, a moral da história vai com os porcos...Está mal! Não vivemos em nenhum antro bolchevique e, como tal, todas as tretas que nos contam desde chavalos deveriam reflectir a democracia moderna que, ainda que muito timidamente, nos rege.
A Branca de Neve e os Sete Anões
No que respeita à Branca de Neve, essa devassa que não se consegue contentar só com um anão, há que dizer que constitui um hino escabrosamente perigoso à poligamia que, como se sabe, é estritamente proibida e condenada pelos povos ocidentais. É vergonhosa esta plantação precoce das sementes da variedade sexual socialmente aceite nas fantasias dos putos, quando a sua futura matança com desfechos monogâmicos é algo que já se conhece à partida.
Concluindo e resumindo: fica aqui o meu modesto apelo para a substituição destas mais que ultrapassadas quimeras por histórias da vida real, mais ao estilo do Gato das Botas (o gatinho dócil que só precisa de um saco e de um bom par de sapatos para desvelar a sua astúcia através de actos tão perniciosos como ameaçar, enganar e matar) que, ao invés de deturparem cerebrozinhos em formação, vão apenas prepará-los para enfrentarem a autêntica selva que é o mundo! Estas invenções calamitosas são contraproducentes pois, na realidade, destinam as criancinhas indefesas a um futuro de revolta e infelicidade. Já para não falar do seu contributo na deturpação da imagem do lobo mau, um ser apresentado como supostamente vil mas que, contudo, se limita apenas a colocar em prática os seus fisiologicamente incontroláveis instintos de sobrevivência, como qualquer compêndio de Biologia poderá facilmente atestar.
PS: Passados estes anos todos, e não obstante o meu cepticismo antagónico em relação a estas histórias infantis, continuo a querer conhecer o Aladino. Acalento secretamente o sonho de lhe espetar um balázio na tromba mal ele me informe sobre a localização da lâmpada mágica com o respectivo génio que nela habita. Porque eu tenho muitos sonhos e porque eu sei que o génio, por ser dessa classe à parte da genialidade, não ia faltar à promessa que fez de conceder três desejos a quem o liberte do receptáculo onde está enfiado há milhares de anos.
02 julho 2008
Motivação e Futebol
Acredito que pessoas só se motivam com a remuneração se o que ganharem não for suficiente para cobrir as suas necessidades (quais as necessidades de cada um já poderá ser assunto para outro post).
Em termos empresariais fala-se muito em ROI (Return on Investiment), um indicador financeiro (para quem não conhece).
Citando a minha Directora, o ROI do Colaborador é o seguinte:
R - Reconhecimento
O - Oportunidade
I - Informação
Ora vamos analisar isto com a metáfora do Futebol.
Comecemos pelo último, INFORMAÇÃO:
Imagine o seguinte cenário: Nunca ouviu falar de futebol na vida. Não conhece as regras, nem como funciona praticamente nada. Concorre para a função "Futebolista" e o vosso novo chefe mete-o no campo sem praticamente lhe dizer nada.
Dá-lhe uma bola para as mãos e "leva na cabeça" pois só se pode tocar com os pés. Vê a bola e começa a chutar sem objectivo. Obviamente que falha a baliza, pois nem sequer sabem que é suposto rematar para lá. Quantas vezes os vossos chefes (digo chefes de propósito, para os distinguir dos lideres) vos pedem o mesmo? Que apenas chutem a bola sem vos dizer qual o objectivo de a chutar?
Passemos à OPORTUNIDADE:
Passado algum tempo de treino sem objectivo e de "levar na cabeça" por parte do treinador e dos colegas, começa a perceber que joga à Defesa e que o seu objectivo principal é não deixar que o adversário chegue à vossa baliza. No entanto sabe que se sentiria muito melhor na função de Avançado (estaria mais motivados e acredita que conseguiria fazer um melhor trabalho). A equipa precisa de um novo Avançado mas o treinador em vez que aproveitar o seu potencial (ou de pelo menos tentar) vai buscar um jogador ao mercado. Quantas vezes já viram isto acontecer? Se calhar vezes de mais, não?
Por último, cheguemos ao RECONHECIMENTO:
O avançado que foi contratado afinal não fez um bom trabalho (será que também ninguém lhe explicou o objectivo da sua função?) e foi dispensado da equipa passado pouco tempo. Você sentiu coragem e propôs ao seu treinador que o deixasse experimentar a função. Ele aceitou e você começa a treinar na nova posição. Sente-se mais motivado pois já percebeu as regras do jogo e identifica-se muito mais com as suas novas tarefas.
Chega o dia do jogo. Um projecto importantíssimo. Uma final. Estádio cheio. 120mil pessoas.
1º jogada: Recebe a bola de peito, domina-a e remata ao angulo. Bate na trave... Sente que esteve quase lá! No entanto, todo o estádio o assobia. O seu treinador chama-lhe incompetente.
2º jogada: finta três adversários, ao estilo "Ronaldo" e, frente a frente com o guarda-redes, dá o seu melhor, rematando uma bola praticamente impossível de defender.... Infelizmente o Guarda-redes fez mesmo o impossível e defendeu... Mais uma vez o estádio assobia, chama-lhe nomes e o seu treinador, coerente, chama-lhe incompetente.
3º jogada: Faltam 30 segundos para o final e o jogo está empatado. Corta uma jogada de contra-ataque da equipa adversária no seu meio campo (algo que não era muito bom a fazer mas que desta vez conseguiu). Olhou e viu que tinha praticamente toda a equipa adversária pela frente mas sente-se inspirado! Qual Maradona, decide avançar pelo campo. Finta um...finta dois...finta três! Ainda faltam dois... Segue em frente. Faz uma "revienga" ao primeiro e passa a bola por cima do segundo. Só falta o guarda-redes. Não satisfeito, levanta a bola com o calcanhar e, rodando sobre si próprio, faz um pontapé de bicleta melhor que os do Pelé e marca um golassso! Está radiante! Corre e pula pelo campo!
No entanto o estádio está em silêncio, assim como os seus colegas de equipa e o Treinador. Afinal não fez mais do que aquilo para o qual é pago...
Este cenário é-lhe familiar?
01 julho 2008
Autarquias e a difícil digestão dos Blogs
PEDRO FONSECA
SARA MATOS
Blogue. Presidente quer desvendar anonimato
Em lugar do povoaonline surge o povoaoffline, onde é reproduzida a notificação judicial
É a segunda vez que Macedo Vieira e Aires Pereira, respectivamente presidente e vice-presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, requerem judicialmente o encerramento de blogues críticos à sua actuação.
O povoaonline foi encerrado na semana passada pelo Google após intervenção judicial, o que gerou vários comentários em blogues e, ontem, uma notícia no Público. Entretanto, surgiu o povoaoffline onde se reproduz a notificação judicial e se faz a apologia irónica do presidente da Câmara. O autarca já admitiu requerer o seu encerramento se "enveredar pelo caminho do anterior". Macedo Vieira garantiu ao DN que o povoaonline "é o primeiro" que processa, visando "uma decisão judicial para que o Google identifique a pessoa" que o gere. O que o move é contrariar "o anonimato, ele que dê a cara" porque "é importante conhecer os autores" do que alega serem difamações pessoais, familiares e profissionais.
Num outro caso, em Novembro de 2006, os mesmos dois autarcas sociais-democratas "apresentaram acusações no Ministério Público contra o blog Cá 70 de Silva Garcia, vereador do PS", revelava então o Póvoa Semanário. Garcia renunciou ao cargo em Março passado afirmando: "saio por náusea e como protesto contra um estado de coisas inaceitável".
Vieira desmente qualquer processo com o Cá 70, excepto por um artigo de opinião do seu autor num jornal em que o apelida de "idiota". "Com o Cá 70 não há nada", afirmou ontem telefonicamente, e o blogue nunca foi processado, "que eu tenha conhecimento".
Com o título "Presidente da Câmara em guerra com a blogosfera", o artigo do semanário era peremptório. A autora do artigo já saiu do jornal mas a directora Catarina Pessanha confirmou que "não houve desmentidos" à notícia. A providência cautelar para o encerramento do povoaonline foi aceite num tribunal de Lisboa e, em Maio, notificada a Google (detentora do Blogger) para agir no prazo de 10 dias. O tribunal enviou o aviso à Google Inc. para o endereço da Google Portugal, subsidiária que "não tem nada a ver" com este assunto, diz o seu responsável Paulo Barreto.
A Google não respondeu em tempo útil sobre a forma como encerrou o blogue quando assegura nos seus termos de serviço que só responde perante os tribunais da Califórnia (EUA).|