16 novembro 2007

Carta de Competências Profissionais do Concelho de Alpiarça




Uma das maiores preocupações de quem gere uma empresa é conhecer de forma adequada as suas pessoas. Quem são, que competências têm, o que sabem fazer, e acima de tudo como sabem fazer.
É por isso que cada vez mais se fala em sistemas de gestão e avaliação de desempenho, que permitem às empresas conhecer melhor as suas pessoas, adequar programas de formação e planos de carreira às competências em falta ou demonstradas.

No âmbito da gestão de uma autarquia, ou melhor dizendo, de um Concelho, poderemos falar de uma análise das competências da população activa em geral.

Foi esse o projecto inovador, de levantamento regional de competências, realizado junto das empresas, dos trabalhadores e dos residentes do concelho de Oeiras. Os resultados deste tipo de projecto contribuem para a gestão do Capital Humano a nível do concelho e para eventuais alterações ao Plano Director Municipal, aquela bonita ferramenta de gestão, que pelas contas das autarquias quase duplicava a população portuguesa mais ou menos por esta altura.

O projecto já foi concluído e permitiu fazer o levantamento das competências profissionais do concelho de Oeiras, que se denominou «Carta de Competências Profissionais do Concelho de Oeiras». Foi realizado através de uma parceria entre a respectiva câmara municipal e a Associação Portuguesa dos Gestores e Técnicos dos Recursos Humanos (APG), com o objectivo geral de «definir o mapeamento da geografia profissional humana do Concelho como capital de conhecimento de excelência para a melhor fundamentação das medidas de desenvolvimento a implementar no futuro».

Foi criado e aplicado um modelo de diagnóstico das competências profissionais, integrado e contextualizado ao concelho, foram caracterizadas essas competências nos termos das variáveis curriculares e profissionais dos recursos humanos do concelho, foi criado e aplicado um modelo de diagnóstico de competências, de levantamento das necessidades de formação e de desenvolvimento quer individuais, quer organizacionais, e foram auscultados os agentes económicos, individuais e organizacionais, relativamente às condições de desenvolvimento que julgavam dinamizadoras da melhoria do ambiente sócio-profissional no concelho.

Todo este projecto assentou no pressuposto de a Câmara Municipal de Oeiras considerar que «apoiar e contribuir para a definição de estratégias de gestão correcta de recursos humanos pressupõe o conhecimento do potencial existente no município» Isto porque «uma câmara municipal, tradicionalmente conotada com a gestão de processos administrativos e a intervenção em domínios directamente ligados com infra-estruturas e património, é hoje confrontada com a necessidade de contribuir, em parceria com outras instituições concelhias, não apenas para inovar e reorganizar espaços mas principalmente para desenvolver e optimizar os padrões de vida dos que vivem e trabalham no concelho».

Assim, identificadas as competências dos trabalhadores do concelho e das empresas, as áreas de conhecimento necessárias a curto e médio prazo e os factores que influenciam a instalação de empresas no concelho, ficam os gestores do Concelho, com uma ferramenta muito interessante do ponto de vista do desenvolvimento sustentando e do crescimento do investimento empresarial.

Se sabemos com o que podemos contar, tal como numa empresa que aceita uma encomenda, ou um projecto porque sabe que pode cumprir as expectativas do Cliente, é possível gerir de forma mais adequada os investimentos e as apostas que se fazem.

Lanço aqui o desafio para que a Autarquia de Alpiarça possa também fazer parte desta inovação com os olhos colocados no futuro.
E provavelmente não seria nada descabido lançar o projecto em conjunto com Almeirim e Santarém, pela complementaridade dos concelhos e das suas pessoas. Acredito, pela experiência do dia a dia, que a mobilidade profissional entre estes três Concelhos poderia trazer-nos algumas surpresas.

É importante saber por exemplo, qual a percentagem de licenciados, e pós-licenciados. Quantas pessoas só têm o 12.º ano, qual a nossa taxa de analfabetismos, etc, etc.. Seria também importante saber, dentro das competências dos indivíduos, quem sabe trabalhar e com que nível de proficiência, com informática, ou seja qual o nível de literacia informática dos concelhos. Saber que línguas são utilizadas e conhecidas. Saber que movimentações se fazem diariamente. Conhecer o tipo de ligações que existem ao nível dos transportes rodoviários, e muitas outras perguntas.

Com o estudo das competências, poderíamos eleger as áreas em que se deveria investir, mitigando as diferenças entre as necessidades identificadas e as competências disponíveis.

A Carta de Competências é um instrumento de grande utilidade não só para as empresas, pela informação que disponibiliza sobre a realidade do território onde estão instaladas ou onde se pretendem instalar, mas também como base de estudo histórico da evolução do concelho.

Fica lançado o desafio, e já agora os contactos de quem pode ajudar a lançar o projecto: a Associação Portuguesa de Gestores de Recursos Humanos, com página oficial em www.apg.pt e com o número de telefone 21 352 27 17. Devem falar com o Vitor Carvalho, que é o Director-Geral.

PSDeclaração de Interesses: Sou sócio da APG há cerca de 14 anos, e actualmente faço parte da Direcção.

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